sábado, 26 de junho de 2010

Cilada!

Há pouco tempo atrás - mentira, muito tempo, desde que a gripe A, B, C, tanto faz, resolveu influenziar minha vida e me perseguir - eu, em uma de minhas muitas tarde livres resolvi ir ao cinema. Sabe como é, cinema é uma fácil escapatória quando a internet tá lenta demais e na TV tá passando Lagoa Azul pela milésima vez. Mas, como qualquer coisa na vida, o cinema pode ter seus inconvenientes. Na verdade, aquela foi a primeira vez a qual eu fui assistir um filme de comédia no cinema. E, analisando bem, o cinema pode ser um inferno.

Bom, por si só o cinema tem lá seus prós. A tela grande e sem nenhum possível rabisco - todo mundo tem na sua vida um pentelho que espera expandir sua veia Picasso na televisão dos outros -, a pipoca que não vai sujar louças da sua cozinha, o fato de que lá nenhum vizinho vai atrapalhar seu filme pra te pedir açúcar, sal, arroz, limão, seu varal, escova de dentes ou qualquer caralho a quatro, entre outros pontos positivos.
Mas não se iluda, a ida ao cinema pode acabar se tornando uma verdadeira
cilada.

Cilada 1: NA FILA.

É fato. Pra se dar bem no cinema você precisa chegar pelos menos uns 45 minutos antes da sessão. Isso quer dizer: você precisa se manter vivo lá dentro por 45 minutos. E, acredite, pode ser difícil. Ainda mais em um shopping. Shopping é uma daquelas coisas que mereciam ser estudadas a fundo. São todos os tipos e formas de humanos possíveis presos - juntos - dentro de uma construção de concreto. Chega a ser mágico.
Conclusão: provavelmente serão 45 minutos analisando os diferentes tipos de criaturas que vão aparecer na fila.

Estudando os diferentes tipos de freqüentadores de cinemas:

I) Abrasileirado: vulgos brasileiros. São os metidos a espertos, como bons filhos da puta dessa nação, que vão rodar a fila inteira procurando algum conhecido mais fdp ainda que esteja mais próximo da compra dos ingressos que ele, pra pedir um lugar na frente, assim, passando a perna no bom cidadão que mal come no almoço pra chegar a tempo pra sessão das duas.

II) Maria do Bairro: os que fazem questão de contar que a tia da filha do primo da vizinha do 512 ficou grávida do motoboy da empresa do irmão da prima da mãe do tio da vizinha da casa ao lado em voz alta o bastante pro cara que vende pastel na banca do outro lado do salão escutar. É incrível, mas o cidadão brasileiro tem mais interesse em saber do primogênito do vizinho, do que pra que bolso do senado o dinheiro suado dele vai acabar parando.

III) X9: são os que já vieram na sessão anterior e fazem a questão de contar o filme. 'Mas, cara, tu tem que ver a parte que o vilão enfia o serrote na barriga do cara e come as vísceras dele!'. Sinceramente? Eu acho que essas pessoas torcem pra que alguém, algum dia, se empolgue com a narração e contrate ele pra contar o filme ao invés de continuar na fila e ver o filme. Só pode.

IV) X9 Plus: esse é a versão piorada do X9 convencional. Porque ele não só conta o filme, como reclama de toda e qualquer coisa. Do vilão, da arma do vilão, do jeito de matar do vilão, do jeito de correr do mocinho, da guria que namora com o mocinho, da piada do meio do filme... Sabe o famoso professor mal comido? Então, ele é o tipo mal comido dos cinemas.

V) Joselito: propositalmente o Joselito foi o último. Último e o pior dos tipos. Bom, provavelmente, se você parar pra ver, o Joselito vai ser quase sempre o moleque sem cérebro da sua sala de aula. O cara que senta na última carteira, em alguns casos tá sempre chapado e seu propósito vai ser sempre encher o saco. O Joselito vai no cinema com o objetivo, nada mais, nada menos, do que de torrar tua paciência. E isso começa desde a fila até o fim do filme. O Joselito é aquele cara que você jura que, se não fosse realmente civilizado, ia encher a cara de bolacha até não poder mais.

Bom, pode demorar, mas algum dia a fila vai acabar, e a tão esperada vez de comprar o ingresso chega.
Mas é aí que você se engana.
Já ouviram falar do cartãozinho verde do cinema? Pois é, ele não é apenas uma lenda, ele existe. Pra quem não sabe, como eu não fazia a menor idéia que essa merda existia, o Cartão Movie Club, vulgo cartãozinho verde do cinema, é uma viadagem criada pra 'prestigiar a fidelidade do cliente'. Você compra o cartão e ganha mil e quinhentas vantagens. E uma delas é preferência na fila. Quer dizer, não importa se você fica duas horas na fila, passa fome, sede, frio, fica com dor nas pernas, se sente praticamente No Limite, o cartão verde vai foder com a tua vida, sem dó, nem piedade. É como se fosse um Abrasileirado com classe, um Abrasileirado da alta sociedade. Tu passa a perna nos outros, mas de um jeito menos descarado. A cena é a seguinte: você fica aqueles 45 minutos de praxe na fila, agüenta todos esses tipinhos, e quando você dá o primeiro passo... alguém simplesmente anda na tua frente e pede o ingresso. O pior de tudo, é que é de uma forma tão natural, que você fica na duvida se deve xingar ou não. Só fica lá, parado, com aquela cara de 'Que merda é essa?' olhando pro cara da frente comprando o ingresso dele. De verdade? Da vontade de chorar.

Mas, algum dia, com ou sem cartão verde, você vai acabar comprando o ingresso. Tu pode até se arrepender depois, mas tu compra.

Cilada 2: A COMPRA DO INGRESSO.

Já notou que as atendentes do cinema são quase sempre a imagem em carne e osso do que tu imagina ser as do Atendimento ao Consumidor? Se tu juntar a voz das atendentes do Atendimento ao Consumidor com a aparência animada das do cinema, tu fica impressionado. Só falta o 'Espere um momento. Tanãnãnãnã nãnã nãnã'. Parece até que, como elas tão ali vendendo o ingresso sem pode ver o filme, elas já decidiram, não importa o que elas tenham que fazer, elas vão fazer da tua vida um inferno. Não importa como. Elas vão fazer com que tu lembre da cara de ódio e desprezo delas ao longo de todo o filme.
Embora chegar na tua vez seja a parte mais difícil dessa trajetória, o ingresso em si não deixa por menos. O primeiro problema: o preço. Ok, não é nenhum absurdo, ninguém vende a alma pra conseguir comprar um ingresso nem nada. Mas, treze reais em um ingresso pra duas horas de filme?
São dez centavos por minuto! É como se o lanterninha viesse a cada 60 segundos com uma latinha pra você depositar sua moedinha lá. Dê mais valor às sua moedas douradas de dez centavos! Mas aí, eis que surge o milagre do meio ingresso. E surge também o segundo problema, interligado ele com as atendentes do Demo. A meia entrada, como todo bom freqüentador de cinemas sabe, é vendida para menores de 18 anos e estudantes. Aí que mora o problema.
A atendente olha pra tua cara, mastigando aquele chiclete saudável de gengibre onde o cheiro, mesmo com o vidro, consegue passar pelos três únicos buracos dele e chegar em ti, te dando o primeiro sinal: '
Corra.' Você o ignora. Grande erro. Na maior inocência tu pede meia entrada pra tal sessão. Dá pra sentir que nos olhos dela aquele fogo se alastrou e ela dá aquele meio sorriso 'Te peguei'. Ela olha pra ti com aquela expressão maligna e diz: 'Carteira de identidade, por favor?'. Ah, merda. Eu e minha carteira de identidade não nos damos muito bem, sabe como é. Ela prefere ter uma vida independente. Se algum dia o Silvio Santos aparecer na minha frente e oferecer 20 milhões pra todo mundo que apresentar a carteira de identidade pra ele, eu definitivamente não seria uma milionária. Isso acontece. Mas, vamos ser sinceros, eu mal aparento ter 15 anos, imagina 18. Mas aquela mulher acordou destinada a te foder a vida. Não adianta dizer que o cachorro comeu, que tu foi assaltada, que a identidade caiu no rio enquanto tu salvava uma criança recém-nascida, nada. 'Meia entrada só com apresentação da carteira, senhora.' E tu vê na cara dela aquela satisfação crescendo. Enquanto isso, o que cresce é a tua falta de paciência.

Cilada 3: O FILME.

Você já passou pelas etapas mais difíceis. A fila, a compra, enfrentou a atendente do Demo. Agora chega a parte proveitosa. Ou a pior delas.
Pense: na fila você ficou na presença de muitas pessoas indesejáveis, mas lá você podia correr quando desse na telha. Na sala de cinema você tá
preso. Você tem a saída de emergência e a saída por onde você entrou. Mas, depois de pagar 10 centavos por minuto, eu não sairia nem com incêndio. Só a sensação de estar preso lá dentro com aquele monte de gente estranha é uma cilada.

Fatores de cilada dentro da sala de cinema:

I) Lugares: você já passou por tudo isso. Fica crente que só pode ser um teste, pra ver se você tá realmente com vontade de assistir o filme. Logo, a recompensa deve ser monstruosa. Certo? Não. A sala do cinema é uma coisa interessante. Os bons lugares ficam da nona fila pra cima. Só tem da sétima pra baixo? Se fodeu. Pegou lugar, pegou! Não pegou, gastou dez por minuto de bobeira. Existem pouquíssimas coisas que demonstram mais a cilada em que você se meteu ao resolver ir ao cinema tão desagradáveis quanto entrar são e sair bichado com torcicolo. Aquela coisa gigante parece que vai te engolir. Aquelas cores todas te deixam de uma forma que, Deus, lá tu perde a vontade de ter uma TV de plasma na minúscula sala de casa. Aquele som infernal, no final, parece que vai te acompanhar até em casa, zunindo na tua cabeça. Duas horas depois ainda da pra escutar o tema musical romântico do filme. Além do que, na frente, a probabilidade de se virar um alvo dos Joselitos é imensamente maior do que a dos que ficam atrás.

II) Joselitos: não, o objetivo deles não é só ser desagradável na fila. O Joselito tem o incrível dom de conseguir ser inconveniente até dentro de uma sala escura. Toda sessão de cinema tem o Joselito que merece, e que trata o cinema como um espetáculo do Beto Carrero. Sendo ele, o próprio Faísca. O bom Joselito fala alto durante o filme, da gargalhadas exageradas em momentos impróprios, gasta - além dos 13 reais - sete e cinqüenta em uma pipoca a qual ele vai jogar nos outros, deixa o celular ligado, entre outras - muitas - coisas sem noção. O maior erro do Joselito não é ser chato, mas sim ter resolvido sair de casa.

III) Banheiro: ta aí uma coisa realmente desesperadora. Em qualquer lugar. Existe alguma coisa pior do que ficar com vontade de bater um papo com o rei, no trono, e isso não ser, por qualquer motivo, possível? Essa não é uma ordem que vem de ti, é superior! É uma necessidade biológica, teu corpo te domina e não tem pra onde escapar. Logo, se você pagou 10 centavos por minuto, você espera aproveitar todos os minutos, mesmo estando na primeira fileira com dez Joselitos atrás de ti. Mas aí bate aquela vontade superior, teu cérebro começa a mandar uns sinais suspeitos, começa a falar com teus órgãos por debaixo do pano; tu começa a ficar agoniado até que a coisa fica realmente feia. Aí é que começa o momento realmente tenso. É o momento em que você começa a se contorcer. Cruza a perna uma, duas, vezes. Estica as pernas, respira fundo, mas logo cruza as duas pernas em cima da poltrona de novo. No instante que as pessoas começam a notar é a hora que não tem mais como levar adiante. Essa é a hora que você mais prefere ter ficado em casa, sujeito aos vizinhos, podendo dar aquele 'Pause' aliviador. Mas não, você tá ali. Tu dá aquela última olhada pra tela, o mocinho beija a mocinha, e aí tu levanta, estufa o peito e vai. Provavelmente, até chegar no corredor, desviando das pernas alheias, andando agachado e agüentando os olhares mal encarados, são mais dois minutos. Mas tudo bem, você finalmente sai. A primeira coisa que acontece quando se sai, é sentir a mesma sensação que provavelmente se sentiu quando nasceu. Aquela luz vem de uma maneira pra cima de ti, que dá pra se pensar que é a bomba atômica. Nosso olho não demora pra se acostumar ao escuro, logo, não demora pra se acostumar à luz. Você vai no banheiro, usa, sente aquele alívio que só esse momento nos oferece e sai. Você se sente uma nova pessoa. Tudo bem, entra na sessão com aquele sorriso de 'sabia cantou pra mim' e se senta. Aí você olha a tela. Nesse momento o mocinho está sendo espancado pela mocinha. E aí você se pergunta: 'Por que diabos eu levantei minha bunda daqui?'. Sabe o que é pior? É que na maioria das vezes, a Lei de Murphy faz questão de entrar em ação, e logo aquele momento - que você perdeu - era O momento do filme. E você não vai entender mais merda nenhuma depois daquilo.

O banheiro tem seus dois ângulos. O primeiro é quando acontece contigo, o que já é uma baita cilada, mas o segundo ângulo consegue vencer o primeiro. Existe também a possibilidade de isso acontecer com o cara do lado. E se isso acontece com a enguia do lado, meu amigo, você arranjou um baita problema. Primeiro, o fato de ter uma pessoa se contorcendo do seu lado. O que já não é agradável. Depois, pessoas sem noção existem. E, surpreenda-se: eles freqüentam os mesmos lugares que você. Sim, ele vai virar e vai te fazer aquela tão temida e repugnante pergunta: '
O que aconteceu?' E não tem sorriso amarelo que te salve.

IV) Casais: que me desculpem os apaixonados, mas, existe alguma coisa mais broxante do que casal apaixonado no cinema? Talvez esse seja um fato de cilada mais desagradável que os lugares. E não, não é inveja, não é coisa de gente mal amada, não é ciúme, é um simples fato! Casais apaixonados naturalmente são chatos. Pelo menos nos primeiros dois meses, que é a fase de bem com a vida de um namoro, onde o casal perde totalmente o bom senso. Aqueles apelidos no diminutivo, beicinhos, carinhas fofas, falas prontas de filmes, agarramentos. Argh! Nesses momentos a gente preferia ter um botão e apagar essas cenas da mente. Sim, casais no cinema são broxantes. E ponto.

IV) Risadas: já ouviram falar que gosto é igual cu? Pois é, risada também. Cada um tem a sua e, como o cu, deveria guardar pra si. Isso é uma coisa que se particulariza, mas não só, a filmes de comédia. Cada um tem seu tempo pra entender piadas, seu próprio senso de humor, não da pra regularizar isso. Não é confortável agüentar, nem participar. Começa por risadas fora de hora. É ruim ser a pessoa que ri, tanto quanto ser a que escuta aquela risada solitária. E o mais importante: risadas são particulares! Cada um tem a sua. É constrangedor mostrar a sua, assim, pra quem nem se conhece.
Por isso filmes de comédia não são bons lugares pra um primeiro encontro. Tudo muito bem, tudo muito certo. Até a hora que ele riu. Tu mal conhece ele, vai querer escutar essa risada pelo resto da vida?
[ ] Ficar / [x] Fugir
É, amigo, não foi uma boa escolha.

Percebeu? O cinema pode acabar sendo a maior cilada do seu dia.
Quer saber? Eu fico com Lagoa Azul e internet lenta mesmo.

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Ao som de: Nós Vamos Invadir Sua Praia - Ultraje a Rigor.

Nota: Originalmente postado em 17 de agosto de 2009.

Horizonte sem fim

Chuva: abundância; água que cai em gotas da atmosfera;
Ela não caiu em gotas. E a água, pura, que despencou dos céus, não lavou a alma de quem a sentiu, levou, consigo, a sua esperança.
Após uma semana onde o que castigava era a abundância do sol, os primeiros pingos com sabor adocicado caíram do céu, leves. Passou-se assim o primeiro dia; segundo, terceiro... passou-se o qüinquagésimo quarto dia, e a chuva, mártir do lavrador que mora no Nordeste, era aqui, o começo do apocalipse interno.
Terra: parte sólida da superfície do globo;
A terra não era mais sólida. A terra era lama. A cidade era lama. Uma cerâmica recém destruída, desmantelada, sendo aos poucos moldada por mãos invisíveis, formando um cenário frio.
A cidade se assemelhava a olhos vazios sem expressão. Sem vida. Sem cor. A avalanche de terra não soterrou apenas o duro concreto das casas por onde passava, destruiu também a alma de quem a via se afastar. A atmosfera laranja, ensolarada, havia sido agora trocada por uma outra, sombria, silenciosa... melancólica. As nuvens ainda pairavam sobre a cidade, baixas e opressoras. Contemplávamos todos a mesma cena. Todos os olhos, de diferentes pensamentos e opiniões, agora compartilhavam juntos a mesma dor. A dor de quem não tinha mais pelo que lutar, ou por quem lutar. Dor de quem tentava achar em estranhos, a ânsia pela renovação.
Seriam essas, conseqüências criadas por nós mesmos? Então a renovação seria contra quem? A triste realidade, é que o grande “Nemesis”, afinal, está dentro de nós.
O Vale já não era mais um vale, era um horizonte sem fim, que, fazendo-nos voltar aos tempos antigos, nos faziam perguntar se depois de tudo aquilo, existia mesmo terra adiante. As noites eram escuras e silenciosas, e os dias, cinzas. Ao olhar de quem se acostumara a ver a cidade como campo de flores representado em seu brasão, ela se tornara quase um campo de guerra, a nova Guerra Fria, Natureza vrs. Humanidade.
Despertou-se então a amarga volta à vida cotidiana, modificada, atroz. Com um agora lacerante aperto no coração todos nós lutaremos em função da volta. O trabalhador terá de ser mais eficaz, o desabrigado paciente, a sociedade mais unida. Talvez demore a passar o tempo necessário para termos novamente a boa e velha Blumenau, mas o tempo e a energia que gastarmos, será, um dia, recompensada pela volta do sorriso ao rosto do blumenauense. Esperamos, enfim, que as sementes que plantarmos, reconstruam nosso campo de flores.

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Nota: Texto em homenagem aos desastres de novembro de 2008.

Desacordo ortográfico

Ok, quem foi o porra que teve a incrível ideia de melecar a Língua Portuguesa? Parabéns, campeão. Sinceramente, eu mal me entendo com as pessoas daqui, o que te fez pensar que eu gostaria de bater um papo cabeça com a galera legal do Timor Leste? A Língua Portuguesa já é uma das mais difíceis de serem entendidas e estudadas e vem esse otário e dificulta mais. Aliás, o problema nem esse foi! Mudar o que precisava ninguém mudou, já que eu ainda tenho que estudar crase todas as terças e quartas. Me diz, pra que caralhos existe crase? Aquela cópia demente de acento agudo. Minha vida não mudaria se a crase fosse - delicadamente - dinamitada e barrada da Língua Portuguesa. Agora, me diz, pra quê tirar o hífem? Aquele tracinho fofo? E, porra, por que aboliram o acento agudo em paróxitonas com ditongos abertos? Que merda é um ditongo aberto? Ninguém escreve notando os ditongos abertos! E meu vestibular como fica? Ah, fico infinitamente agradecida! Investir na minha educação pra eu aprender o novo acordo ortográfico que é bom, ninguém investe, né? E aliás, quem vai ensinar o acordo pra quem não estuda mais? O Batman? O Luciano Huck? Quero ver se quisessem fazer um novo acordo ortográfico Inglês! O que ia rolar de bomba atravessando o oceano Atlântico...
Digo e repito: essa foi a ideia mais ridícula que já tiveram nesse país. Pensar em soluções pros problemas econômicos (vulgo problemas de honestidade) ninguém pensa! Agora, pra
foder a vida do cidadão, tá cheio de voluntário!
Então, quer saber? Eu continuo escrevendo meus "id
éias" e meus acentos em paróxitonas com ditongos abertos, virem-se! Vocês que são ortograficamente renovados que se entendam. Eu estou bem como estou.
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Ao som de: Welcome to the Jungle - Guns N' Roses

Nota: Originalmente postado em 19 de junho de 2009.

Mood Indigo

O sol resvalava a linha do horizonte que passava por dentre as cortinas cor de oliva. O vento que cortava sua imagem levava para longe o pútrido. O cheiro pestífero de culpa emanava dele, e para ele. As olheiras em que se baseavam seus olhos artificialmente convidativos, refletia a insônia da noite que se passava lentamente. E de todas as outras em que passara em branco. Ou em preto. Ele era pálido. Sua aparência era leve, mas de sua alma provinha uma beleza dura, talhada em pedra rasa. Rasa. Da velha vitrola postada abaixo da janela o som saía alto o bastante para inundar o quarto de hotel barato com sua rima. As notas saíam falhadas. I'm so lonesome I could cry. O disco girava hipnotizante, e ele sentia vontade de dialogar com o que acompanhava-as, contestá-las. Ele queria dançá-las, formar passos com a brisa. Ele queria brindar. Ele queria poder. Ele queria coisas demais. Ele não tinha força para nenhuma delas. Havia chegado ao fundo, ao fundo mais fundo que seria possível cavar. Ele se conformava. As forças que lhe restavam não o possibilitavam recusar-se a aceitá-las. Ele mal conseguia manter seus olhos abertos com a energia que lhe restava. A morte não lhe parecia tão ruim, vista de quem já viveu. Em pouco tempo a Morte lhe daria a mão e o levaria para longe, longe o bastante. A Morte o olharia nos olhos e contaria a ele a história da vida. E ele as escutaria atento, como uma criança. Era seu desejo. Seu mais íntimo desejo. E a música ainda ressoava I'm just a soul who's bluer... quando seu coração congelou definitivamente.

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Ao som de: Frank Sinatra

Nota: Originalmente postado em 12 de abril de 2009.

Sincronizando-nos, um a um

Não gosto de surpresas. Gosto do que é constante, do que é repetende, sincronizado, exato. Gosto da rotina, do sempre, do 'de novo', do 'repeat' do meu rádio surrado onde escuto as mesmas músicas velhas de sempre. Gosto do lápis de cor que tem força para durar quatro anos seguidos e ainda deixar marcas permanentes que nem uma borracha inacabável apaga. Gosto do que é remendado, gasto, usado, conhecido. Não gosto de mudança. Mudança é uma palavra nova, e eu não gosto do novo. Gosto da nostalgia do velho, da poesia do antigo. Do ser. Porque o ser é eterno, ele é, e o que é, não deixa de ser. Gosto da experiência, contínua. Realmente não gosto de surpresas, embora grande parte dos seres humanos seja formado por elas, complementados por uma pitada de egocentrismo e egoísmo. Deve ser por isso que não gosto dos humanos. Nunca gostei.

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Ao som de: Psycho - The Sonics

Nota I: Originalmente postado em 29 de março de 2009.

Tese da fé (des)humana

Fato 1: Nós morremos.
Fato 2: A vida é cansativa, dura, e trabalhosa, e só então, nós morremos.
Fato 3: Acredito que 80% da população vive na espera da, até então incontestável, pós-vida.
Fato 4: Desses 80%, ainda por minha visão, 1,1% já supôs que talvez, esse mundo paralelo cheio de arco-íris e fadas, não exista.
Embora esse 1,1% não tenha pensado a respeito por mais de um minuto.

Tudo a troco de quê?

Enfim, a teoria básica da minha tese sobre a fé deshumana é que os seres humanos precisam de uma imagem – enganosa ou não – em quem terem fé. Todos os seres racionais – nem sempre pensantes – têm pavor de não terem em quem depositar sua confiança, além de uma profunda angústia de levarem a culpa pelos objetivos não concluídos. Embora, eles mesmos não tenham a menor fé em si mesmos. O pensamento de um ser maior, potente, imortal e incontestável, oferece garantia, a confiança de que qualquer erro, então, é um acerto.
Será que a sociedade realmente evoluiu, ou será que a única mudança desde a Idade das Trevas foi a implantação do capitalismo? A igreja, mesmo com o aumento de hereges, continua sendo a – não mais única – incontestável fonte da verdade e merecedora de confiança.
Após um longo e cansativo dia, em meio a um turbilhão de pensamentos que invade minha cabeça periodicamente, me peguei pensando a respeito disso. Qual o significado da existência? As coisas não podem ser tão simples, nem tão banais. São três teorias básicas que todos os mortais já ouviram pelo menos uma vez na vida:
Primeira teoria: nós nascemos, nos reproduzimos e morremos. Um ciclo cansativo e sem nexo. Conservamos uma espécie para que daqui a poucos anos ela conserve a dela, e assim repetidamente até que algo aconteça. Infelizmente, o algo nunca aconteceu, então, não fazemos a menor idéia se o ciclo algum dia parará. O que nos leva à segunda teoria: a vida eterna. Que nos faz fantasiar a famosa cena do senhor de barba branca sentado dentro de uma guarita solidificada nas nuvens, controlando a abertura de um portão cor de bronze que nos levará ou a atmosfera branca e pura que se imagina ser o céu, ou ao mundo temidamente vermelho e quente, o inferno. De qualquer forma, ainda existe uma terceira, e mais aclamada: a ressurreição. Mas como já foi dito, não pode ser tão simples. Quando uma pessoa se cansa da vida, ela simplesmente dá um restart e começa do zero?
A maioria das pessoas
(vulgo eu) vive um incrível dilema entre o ‘viva como se fosse morrer amanhã’, e o termo ‘reencarnação’. Se há uma reencarnação, por que diabos viver como se a vida fosse única? Aproveitemos então os detalhes que a vida nos da direito, degustemos-la, sem pressa, sem pressão. Sem impulsividade.

"O que importa afinal, viver ou saber que se está vivendo?"
Clarice Lispector.

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Ao som de: Fake Plastic Tree - Radiohead

Nota: Texto originalmente postado em 28 de Março de 2009.

Cinzento

A quilômetros das alegres e abundantes praias da zona rica do Rio de Janeiro, o sol já havia se posto há muito tempo nas ruas sombrias da periferia. Dos dez postes de iluminação, três já haviam desistido de tornar a rua um pouco menos nebulosa, e cinco ficavam apagando e acendendo. As noites, em sua maioria, eram banhadas por vigílias de helicópteros que sobrevoavam a região de tempos em tempos, o que não a deixava ser totalmente escura, nem clara o bastante para ser considerada menos assustadora. Numa cidade considerada ensolarada, aquela região era cinza.
O carro antigo de aparência velha, (mal) estacionado quase sobre a calçada parecia estar estagnado ali havia muito tempo. Seus pneus, nunca trocados e gastos pelo tempo, roçavam suaves o meio-fio, ocupando quase toda a passagem da rua. O silêncio absoluto da ruela fazia da cena, uma fotografia perfeita de filme. Perfeita, até que o som estridente da buzina rompeu de dentro do carro. - Droga. - Disse o condutor, enquanto voltava do sonho à realidade, sentindo o café - até então firmemente seguro em suas mãos - penetrar o tecido do banco.
"Maldito emprego. Maldita hora." Esfregou seus olhos enquanto olhava o relógio analógico pregado no painel escuro do carro. 1h33 da manhã. Maldito tudo. Seus olhos, por instinto se fecharam novamente. Dessa vez foi o walk-talk preso à sua cintura que o fez acordar com o barulho de estática. - O que foi, Willy? - sua voz áspera irrompeu a escuridão. Ia muito de acordo com sua aparência, áspera. Coçou sua barba por fazer. Que, pelo menos dessa vez, não fosse alarme falso, queira, Deus. - Eu não demoraria se fosse você. Parece que dessa vez vai ser das boas. - Um sorriso, que mais parecia uma careta de dor, inundou suas feições duras e frias, e sua mão se agarrou à chave de ignição. O rugido do carro cortou o vento, e as marcas da aceleração tatuaram o chão da rua. Não demorou até que chegasse ao ponto da confusão. Não que ele conhecesse a região, na verdade, nunca passara de um restaurante italiano que havia no início da zona sul. Um restaurante mais caro do que usualmente poderia pagar, em geral. Mas não era difícil descobrir onde deveria ir. A confusão se alastrava até o final da rua, e o sorriso macabro ainda não havia suavizado em sua expressão quando o carro parou do outro lado da rua, de frente a uma boate. A música alta penetrava seus tímpanos, acostumados até então com o silêncio absoluto. Mas não era a música que chamava - e prendia - a atenção das pessoas na rua. O emaranhado de corpos que se postava no meio da rua principal "dançava" uma espécie de coreografia diferente, brutal, quase um ato folclórico, se não houvesse sangue envolvido. Sangue. Só o pensamento o fez se arrepiar. Não era a parte que ele mais gostava. Os integrantes que compunham a cena eram distintos. Como se fossem dois grupos formados com antecedência para uma rodada de luta livre. Na prática, aparentava ser uma luta livre... no meio da rua, sem regras e que não cessaria até ter pelo menos uma daquelas cartas fora do baralho. Fácil assim, como se fosse um jogo. Os olhos fascinados de repórter de meia idade foram desviados assim que um impacto no capô fez o carro dar um solavanco. O mais assustador ainda foi o rugido feroz, quase animal, vindo do espectro que havia sido arremessado contra o carro. Ele agora se levantava, enfurecido demais para reparar outra coisa em sua volta. Seus músculos do braço, flexionados, agora se endureciam por baixo da sua camisa rasgada. Sua jugular pulsava a olhos nus. Sem consequências, ele se atirou em direção ao agressor, batendo com sua cabeça, na cabeça do outro. Não demorou até o sangue pulsar, vívido, do talho na cabeça do menino. Ele não aparentava dor. A dor se transformava automaticamente em mais ódio. Garotos como aquele não podiam se dar ao luxo da dor. A dor é pra quem tem direito de senti-la. Não era o seu caso. As coisas aconteceriam como um ciclo, até que alguém se cansasse e desistisse de vez. Desistir, naquele caso, não significava a bandeira branca, ou uma trégua. A desistência, nessa região do mundo, significava a morte.
O coração do repórter, que agora já estava colado ao vidro embaçado, batia ao ritmo dos socos e pontapés da cena. Uns metros à frente do incidente da cabeçada, outros garotos do mesmo tamanho se debatiam, e se batiam com uma força incrível. Os pingos de sangue já eram tão comuns quanto as gotas de chuva que caíam agora, adocicadas, lavando a rua manchada de vermelho. Os combatentes da guerra privada já não tinham mais forças para se erguer, muito menos para continuar a briga. Mas mesmo assim, nenhum deles baixava a guarda. Mesmo entre todos os gritos ferozes, a música alta e todos os outros uivos, o som mais angustiante foi o baque seco de um corpo inerte, sem vida, batendo contra a pedra fria. Na cidade do Cristo, esperto, afinal, era quem não deixava o julgamento nas mãos Dele.

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Nota: Originalmente postado em 27 de março de 2009.

As rosas murcharam e os jardins morreram

O sol caía no momento em que eu andava. Ele caía e eu andava. Como havia andado há tanto tempo, era o que mostravam os pés calejados. O espectro de luz infinitamente branca se postava na penumbra, mas eu o via. Eu me esquivava, e ele corria. Me virava e ele fugia. Dos seus olhos escorria frustração, e ela corria até o final da face, deixando um rastro de sangue. Deus estava agora no céu Dele, no céu coberto pela nuvem cinza empoeirada, fatídica. Dos seus olhos malogrados também escorriam lágrimas ácidas, que vinham para mim. Me tocavam, e me queimavam. Marcavam meu sestro semblante que deslizava pela faixa de poeira marfim arroxeada. Deixa correr o marfim! As Columbinas cantavam seu cântico poetado, apagando o fogo, chocoalhando-se, abordoando-me. Enquanto elas recitavam seu hino de apologia aos céus de mil brilhos, o Sol continuava a se pôr no infinito dos mortos. O Sol as deixava desamparadas, e elas continuavam gritando por acolhimento. Àvé! Àvé solaris! As rosas murcharam quando o Sol morreu, deixando um vácuo escuro sem fim. O Sol havia desistido, desistido de mim, deixando-me no abismo dos vivos. Quando ele se foi, eu finalmente parei. Parei e me sentei. E chorei. Eu chorei quando o Sol se foi.

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Ao som de: Hard To Explain - The Stroke

Nota I: Àvé - Salve; Solaris - Sol; (Latim)
Nota II: Frustrantemente sem muita inspiração.
Nota III: Originalmente postado em 16 de maio de 2009.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Nem tudo que reluz, é Cullen

Crepusculite, Cullenismo e Perda de Cultura

Todos sabemos os ingredientes básicos de um best-seller juvenil. Mocinhos deprimidos, amores impossíveis, nada de ‘sexo, droga e rock’n’roll’, uma pitada de imaginação pró síndrome de Peter Pan e muita, muita lábia. Pegue os elementos, misture e - vouillá -você terá a saga Twilight, o best-seller mais aclamado entre as jovens – ou não tão jovens assim – adolescentes que sofrem surtos de histeria a cada lançamento e defendem, esquivas e cegamente devotas, sua pré-religião: o cullenismo.
Antes de tudo, existem três coisas que você deve saber sobre Crepúsculo: 1) ame ou odeie, eles são populares. Muito populares. Querendo ou não, mais pessoas leram Crepúsculo que qualquer outro livro clássico sobre o assunto. 2) Os livros não são tão bons. A má recepção da crítica sobre Crepúsculo não se deve apenas aos defensores da cultura clássica que tem como líderes grandes escritores e gênios como Bram Stoker e Anne Rice, mas sim, pela obra chula e sem conteúdo a qual se caracteriza o livro. Twilight é um romance água com açúcar, descompensado e clichê, uma história típica e sem surpresas que mexe com os hormônios da maioria avassaladora de adolescentes atuais. 3) VSNN -
Vampiros? Só no nome. Os vampiros de Stephenie Meyer não tem caninos alongados, não queimam, mas brilham, ao sol, usam alho como tempero em suas saladas vegetarianas, tomam suco de groselha e penteiam seus hidratados e estiloso cabelos no espelho, onde refletem.
Várias críticas merecem ter seu lugar gravado aqui, comecemos então, pelo início de tudo: a autora. Stephenie Meyer, a sortuda escritora estadounidense que acertou na dose e se tornou uma das mais ricas mulheres após sua obra – não tão prima - vender mais de 100 milhões de cópias ao redor do mundo, com traduções em 37 línguas diferentes, para 50 países, uma verdadeira febre mundo afora. Em seu site, Stephenie fez a seguinte declaração: “
Eu acordei naquele 2 de junho de um sonho muito nítido. Em meu sonho, duas pessoas tinham uma conversa intensa numa campina no bosque. Uma das pessoas era uma menina comum. A outra era incrivelmente bonita, faiscava e era um vampiro. Eles discutiam as dificuldades inerentes aos fatos de que: a) eles estavam apaixonados um pelo outro; e b) o vampiro sentia-se particularmente atraído pelo cheiro do sangue da menina e tinha dificuldades para se conter e não matá-la imediatamente.” Teria ela tido, em 2003, um sonho mais real do que parece? Em 1991, a também estadounidense Lisa Jane Smith lançava seu primeiro livro sobre vampiros: Diários do Vampiro. Sua trama, que, adivinhe, trazia uma garota sonsa-indefesa e um vampiro muso-bonzinho, se desenrolava em volta da paixão da garota inocente pelo vampiro do bem, que tinha o dilacerante medo de machucá-la. O mundo, que pouco foi abalado com os livros não famosos e pouco divulgados mundialmente de 1991, se baseou, em 2003, na idéia de que “toda semelhança é mera coincidência”. Mas resta a pergunta: o que Stephenie Meyer, a escritora de vampiros que orgulhosamente admite sentir nojo dos ditos cujos, lia antes de dormir no dia 2 de junho de 2003?
Mas este, porem, não é o fato realmente importante a ser alardeado sobre Twilight, mas sim, a nova doença mental que o livro trouxe aos mais fracos de idéia: a Crepusculite, ou Eduardos Brilhantinus. Alguém me avise se eu tiver deixado escapar alguma coisa, mas, num livro sobre vampiros, onde estão os sugadores de sangue? E este, este sim foi o maior erro da Srta. Stephenie Cullen. Com a tão reconhecida e crescente falta de cultura dos jovens da juventude clichê que esbanja ignorância, ela apagou, de quem bateu na porta do mundo literário ao começar a ler sua história, toda e qualquer cultura real sobre o assunto que seu livro aborda. Levante a mão e atire a primeira pedra quem, após ler Crepúsculo e sua gangue de vampiros fajutos, reconhecer por suas características Lilith, a primeira lenda vampirica conhecida, criada para ser esposa de Adão, segundo as culturas sumérias e mesopotâmicas. Mas não precisamos ir tão longe. Atire então, quem reconhecer Lestat de Lioncourt, o vampiro criado por Anne Rice na sua obra verdadeiramente prima chamada Entrevista com o Vampiro, ou o genial Conde Drácula, do mais genial ainda Bram Stoker, de 1897. Os existentes ou ficcionais vampiros reviram-se agora em seus, sim, portador do vírus da Crepuscilite, CAIXÕES, após terem que abrir espaço de suas gloriosas lendas para pseudo-vampiros, dramáticos, que brilham ao sol como num desfile de carnaval, saem em fotos, tem sombra, reflexo, levam crucifixos pendurados no peito, passam por água corrente e estacas de madeira ferem seus sentimentos, mas não os matam. Sim, Edward Cullen, Lestat te despreza, e boa parte da humanidade que cultua a memória de uma lenda e de uma cultura, também.
Por fim, advogo então que a série nada mais é do que uma fanfiction de internet mal escrita. Em termos literários e culturais é sofrível, a história é clichê, repetitiva, com rasgos imaginários batidos a martelo e idéias deformadas que existem com o propósito de facilitar. Claro que os vampiros brilham; não andar no sol não tem nada de romântico, e se os vampiros não brilharem, não conseguiriam encher 30 linhas com adjetivos para descrevê-lo.
Fique atento ao
Eduardos Brilhantinus , os sintomas são: cegueira, mau-humor, falta de consciência, perda de massa cinzenta e alucinações… Mas existe cura, desde que você já não tenha chegado ao estágio da surdez. Mas, veja pelo lado positivo, pelo menos ela não te levara a perda de sangue.

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