sábado, 26 de junho de 2010

As rosas murcharam e os jardins morreram

O sol caía no momento em que eu andava. Ele caía e eu andava. Como havia andado há tanto tempo, era o que mostravam os pés calejados. O espectro de luz infinitamente branca se postava na penumbra, mas eu o via. Eu me esquivava, e ele corria. Me virava e ele fugia. Dos seus olhos escorria frustração, e ela corria até o final da face, deixando um rastro de sangue. Deus estava agora no céu Dele, no céu coberto pela nuvem cinza empoeirada, fatídica. Dos seus olhos malogrados também escorriam lágrimas ácidas, que vinham para mim. Me tocavam, e me queimavam. Marcavam meu sestro semblante que deslizava pela faixa de poeira marfim arroxeada. Deixa correr o marfim! As Columbinas cantavam seu cântico poetado, apagando o fogo, chocoalhando-se, abordoando-me. Enquanto elas recitavam seu hino de apologia aos céus de mil brilhos, o Sol continuava a se pôr no infinito dos mortos. O Sol as deixava desamparadas, e elas continuavam gritando por acolhimento. Àvé! Àvé solaris! As rosas murcharam quando o Sol morreu, deixando um vácuo escuro sem fim. O Sol havia desistido, desistido de mim, deixando-me no abismo dos vivos. Quando ele se foi, eu finalmente parei. Parei e me sentei. E chorei. Eu chorei quando o Sol se foi.

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Ao som de: Hard To Explain - The Stroke

Nota I: Àvé - Salve; Solaris - Sol; (Latim)
Nota II: Frustrantemente sem muita inspiração.
Nota III: Originalmente postado em 16 de maio de 2009.

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