terça-feira, 8 de novembro de 2011

A Indústria do Medo e o Tráfico de Luxo

O que acontece quando uma das necessidades básicas do ser humano esconde uma intrincada rede de interesses, sustentada por uma das maiores e mais monstruosas industrias da atualidade, que visa o lucro negligentemente, e se inseriu a tal ponto de virar um dos setores mais produtivos e lucrativos da estrutura capitalista? Uma indústria que vende a idéia do medo e oferece à população aquilo que ela pensa necessitar, em uma lógica inerente ao sistema. Certa vez, se foi dito “a diferença entre homens e animais, é de que o homem é um animal viciado em pílulas”. Não é coincidência que a toda poderosa indústria farmacêutica adquiriu ao longo do desenvolvimento humano uma força incalculável na sociedade mundial. Anos atrás, o diretor de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações claras: disse que sonhava produzir medicamentos destinados as pessoas saudáveis, assim podendo contaminar ao mundo todo. Três décadas depois, o sonho tornou-se realidade. Caminhamos então para a produção de uma sociedade hipermedicada. E o que acontece quando se descobre que o interesse da indústria farmacêutica pela saúde é um mito?

Sabe-se que a indústria farmacêutica aparece na quarta colocação em volume de produção, perdendo dos Estados Unidos, França e Itália. O coordenador do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, afirmou que hoje no Brasil não existe nenhum medicamento que tenha margem de lucro inferior a 600%. Segundo o presidente da Federação da Indústria Farmacêutica, o faturamento dessa indústria no Brasil atualmente é de R$ 25 bilhões de reais. Os dados revelam uma realidade bruta: as drogas farmacêuticas são desenvolvidas visando o mercado potencial, e não as necessidades da sociedade. A preocupação com a saúde da população fica em segundo plano, e a preservação dos lucros assume o papel que conscientemente deveria pertencer ao bem estar da população.

A indústria farmacêutica, diferentemente do que se pensa, não tem sua produção baseada em pesquisas e desenvolvimento de melhorias e novos meios, mas sim, de uma fácil campanha de marketing que abate grande parte da população: a dispersão do medo. Casos de doenças são tratados como epidemias, os problemas rotineiros da vida tornaram-se problemas mentais. Queixas são transformadas em síndromes. Pessoas saudáveis, aos poucos, são moldadas como doentes. A campanha farmacêutica explora os maiores medos do ser humano: a doença, a decadência e a morte.

O ato da medicação virou um vício humano. Tomar um medicamento tomou tanta influência, que mesmo uma pílula de açúcar sem poder ativo nenhum pode produzir efeitos benéficos a quem a toma, o famoso “efeito placebo”. Após a criação farmacêutica chamada de “drogas de estilo de vida”, houve uma mania exagerada pelo consumo de remédios como os de emagrecimento, antidepressivos, hipnóticos, e tantos outros, que causam a dependência, como qualquer outra droga barata. Mas poucos sabem disso, uma vez que a indústria tem controle total sobre as pesquisas, que abate os resultados negativos. Isso não é ciência, é propaganda.

O foco da indústria pela produção de remédios viciantes que englobem a maior parte da sociedade, e que torne o lucro exorbitante, causa um outro grave problema: doenças raras e de pouca rentabilidade são negligenciadas, não havendo interesse comercial em desenvolver suas curas. Essas doenças negligenciadas correspondem a 12% do impacto de doenças no planeta. Já as doenças cardiovasculares, que abrangem grande parte da população e para as quais 179 novas drogas foram criadas, há um impacto de apenas 11%. O problema, é que não é rentável sustentar pesquisas para remédios que combatam doenças que atinjam pequenas parcelas da população. É necessária a larga escala.

Há três anos, um pesquisador canadense descobriu que uma substância química comum e não tóxica, conhecida como DCA, inibia o crescimento de tumores cancerígenos em ratos. Ele testou as células cancerígenas em laboratório e conduziu os testes em humanos. Os resultados foram positivos, o tratamento com DCA pareceu estender a vida de quatro dos cinco participantes do estudo. O cientista não patenteou a descoberta. Mas não porque não quis. Então por que não ouvimos falar dela? Em um mundo onde uma droga patenteada para câncer chamada Avastin custa aos pacientes cerca de 80.000 dólares por ano, não há interesse em cura. Qual seria vantagem? Onde estaria o lucro?

Enquanto os governos gastam milhões em programas contra as drogas ilícitas, a indústria farmacêutica está investindo bilhões em pesquisas de novos medicamentos que tanto curam quanto matam. 20 mil brasileiros morrem a cada ano em decorrência do consumo de entorpecentes ou de crimes relacionados ao tráfico. Mas 24 mil morrem a cada ano em decorrência de intoxicação medicamentosa. Em 1999, ocorreu o massacre de Columbine, no Colorado, Estados Unidos. Enquanto o mundo discutia o porte de armas e o efeito das drogas na juventude, pouca repercussão ganhou o fato de que Eric Harris, um dos responsáveis pelo massacre, estava sob o efeito do antidepressivo Luvox, quando matou doze colegas e seu professor, antes de cometer suicídio. 17 mil estadounidenses morrem por ano pelo consumo de drogas ilícitas. Enquanto isso 250 mil morrem devido aos efeitos colaterais de drogas farmacêuticas.

Isso não torna a indústria farmacêutica, financiada por governos e entidades, uma forma de tráfico de luxo? O fato de ela ser lícita não a torna correta. Nem justa. Não é coerente que pessoas morram pela falta de auxílio por não serem consideradas suficientemente lucrativas. Nem que pessoas sejam sentenciadas a uma vida de angústias a fim de alimentar uma máquina que visa injustamente apenas o seu crescimento. É necessário que medidas sejam tomadas para que haja o controle dessa indústria, que distorce pesquisas e mantém um monopólio de produção e comercialização, podendo assim manipular preços exorbitantes. É necessário que a população mundial tome medidas duras contra o comportamento negligente desse sistema, e que com o aumento dessa consciência, passe a ser possível combater o talvez único vírus atual que não necessita de nenhuma pílula: o vírus da ganância.

sábado, 11 de junho de 2011

Disciplina é liberdade

“Longe dos olhos, longe do coração.” A educação brasileira parte dessa premissa. Esqueça as grandes promessas, desapegue-se dos sonhos. Entenda: quanto menos educação, menos acesso ao conhecimento. Quanto menor for o conhecimento, menor o senso crítico. Maior inércia geral. Maior acomodação popular. Maior legião de cabeças vazias. Moldam-se então aos padrões que lhes são passados. Como meros soldados de pedra, pagadores de impostos, mas sem direito aparente. Saiba, quando não se manda em si, alguém manda.

A escola perdeu seu papel chave na formação de um cidadão, tanto quanto ser cidadão perdeu sua importância na sociedade ao longo dos anos. Perderam-se os valores, e o que antes era a estrutura base, virou um depósito de mentes – ocas mentes -. Um desinteresse passado de geração para geração, intensificado pela turbulência da atual sociedade. Fora das ruas, fora do perigo. “Conhecimento”, uma palavras de luxo. Mais o que se pode exigir. A cabeça é vazia, mas a barriga é cheia.

De geração em geração o desinteresse é passado, assim como pela falta de incentivo profissional. Profissionais descontentes trabalham de acordo. Ensinar com eficiência deixa de ser um objetivo, uma vez que não se recebe condenscendentemente. Falta de incentivo causa a falta do aprimoramento. E assim, ocorreu o distanciamento de “escola” e “ensino”.

Engana-se quem pensa que o aumento do número de escolas causam melhoria na educação. Escolas são apenas estruturas. Apenas estruturas não formarão profissionais satisfeitos, conseqüentemente, não renovarão a sede pelo conhecimento, pelo aprimoramento, crescimento, amadurecimento, e por fim, pela mudança.

Não, não bastam ter escolas. Queremos de volta o termo “educação” como ele é. Queremos a – real - ânsia pela renovação, pelo amadurecimento geral, pela mudança. Não queremos cabeças contadas como num rebanho, nem números estatísticos. Queremos cabeças pensantes. Queremos conteúdo. Queremos ensino. Não escolas.

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Ao som de: Geração Coca-Cola - Legião Urbana

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Até quando?

“As leis são sempre úteis aos que têm posses e nocivas aos que nada têm.” Vai, vamos deixar de hipocrisia. Eu e você sabemos que a única maneira de o país sofrer uma pressão popular tão grande a ponto de obrigar o órgão que faz de gato e sapato a mim, a você, ao seu pai e ao seu avô, - e pelo andar dessa mula, fará também a grande maioria dos seus progenitores - a fazer alguma mudança que impeça que aconteça um tipo de confronto tão abalador que estremeça o relacionamento pão-e-circo da sociedade atual com o governo relapso que nos lidera, é quando a água bater na bunda da maioria, e todo mundo se ver REALMENTE afetado por toda essa cretinice que nos rodeia e que aparece estampado na nossa cara todos os dias. Quando você vê na TV multidões morrendo na fila da saúde pública e o filho do vizinho não tendo uma educação – PÚBLICA – de qualidade que supra toda a demanda que essa sociedade suja cobra, mas não te dá em troca, as situações não parecem merecedoras de alarde. Mas quando isso começa a bagunçar a sua vida, isso se torna diferente. Agora eu vou dar uma dica pra você que tá na espera disso acontecer: a água não tá mais batendo na sua bunda... você já tá se afogando.

Com tanta riqueza por aí onde é que está, cadê sua fração?
Até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus?

Você sabe o que são e por que você paga impostos? Eu vou te contar: os impostos são aquelas taxas que você paga pro governo e que em grande parte vêm embutidos secretamente em coisas cotidianas, como o seu salário, suas operações financeiras, suas compras e nas mercadorias que você almeja, mas que muitas vezes não são viáveis graças as grandes taxas a ela atribuídas. Ele serve pra que você tenha uma infraestrutura decente, educação de qualidade, saúde e segurança que tenham como resultado seu conforto. Mas na prática, sabe pra que servem os impostos no Brasil? Pro governo – legalmente - te assaltar.

Enquanto o governo cobra taxas absurdas em cima de produtos importados, de circulação de mercadorias com altíssimas taxas que chegam a até 60% do valor do produto, impostos sobre A RENDA QUE VOCÊ GANHA TRABALHANDO e sobre as operações financeiras que VOCÊ faz sobre o dinheiro que é SEU, e mais cacetantos impostos que você paga e nem sabe que existem, sabem o que eles fazem com o dinheiro que ilusoriamente serviria pra sua qualidade de vida? Nada. Porque você, caro cidadão, é mais um peão no jogo que ELES criaram, e que não vai acabar tão cedo. Enquanto falta dinheiro nos serviços públicos básicos e no aumento de salário mínimo dos trabalhadores, os políticos brasileiros votam O PRÓPRIO aumento de salário, que vem do seu bolso, e sem nenhuma retribuição. E sinto dizer que esse é o roubo HONESTO, há muito além disso nesse joguete de interesses.

A lógica é simples: o governo te suga e em troca te dá um grande e homérico “vire-se”, que é esquecido, quando o seu voto irresponsável e tão cretino quanto é necessário, o voto que vai eleger a mesma corja nojenta que te suga hoje, e que vai te sugar amanhã, depois de amanhã e nos dias seguintes. O que o governo faz com você tem nome: ESTUPRO CONSENTIDO. Porque você SABE o que ele tá fazendo, dia após dia, ano após ano e eleição após eleição, e não faz NADA que impeça isso de acontecer. E isso também tem nome, e não é impotência, não. É comodismo. Estamos demasiadamente acostumados a aceitar as situações calados, como súditos esperando ordens e decisões supremas de um Deus, que como todo bom Deus, não merece questionamentos da sua soberba sapiência, e a cada vez mais, nos fechamos em nossas bolhas isoladas ao mundo e escondemos a face entre as mãos. Longe dos olhos, longe do coração.

Mas como diria nosso grande amigo Rousseau, a força fez os primeiros escravos, a sua covardia, perpetuou-os. Então sim, tá na hora de mostrar o quão forte pode ser a insatisfação de uma população e de uma geração que só tende a estar cada vez mais na mão de um sistema covarde que não liga pro seu bem estar e sim pros lucros que ele pode tirar em cima da sua inércia. Tá na hora de fazer pressão, mostrar que você não precisa ficar a mercê dessa gangue de mercenários corruptos, que pensam ser maiores do que toda uma sociedade honesta, que foi calada durante a ditadura militar e permanece estagnada desde então.

E isso é papel da nova geração, se não aos moldes dos caras pintadas indo às ruas, aos moldes da sua própria realidade, usando as armas que ninguém conhece tanto quanto os mesmos: A MÍDIA. Tá na hora da nova geração passar sim a se importar com isso e quebrar o tabu de que política é coisa careta, porque eles tão te fazendo de idiota, e vão continuar te fazendo de idiota se você não abrir a cabeça, os olhos e a boca, e fazer o mundo te ouvir. Criticando e questionando, porque estamos todos na mesma areia movediça, e a coisa toda tá errada, mas tem conserto e ele depende do seu interesse e do seu protesto. Já passou da hora de pararmos de fingir que não vemos o circo que se formou. Tá na hora de mostrar nas mãos de quem tá o poder, e de cada um pegar sua fração.

Luíz Inácio falou, Luíz Inácio avisou: são 300 picaretas com anel de doutor.

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Ao som de: Do the Evolution - Pearl Jam